Brasília — O deputado Moses Rodrigues (União-CE) recomendou nesta terça-feira, 28 de abril, que o Conselho de Ética da Câmara suspenda por 60 dias os deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC).
Segundo o relator, o trio obstruiu fisicamente as atividades do plenário em agosto de 2025 ao ocupar a Mesa Diretora em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Esta Casa deve impor reprimenda severa, para que fique claro que não tolera infrações dessa natureza”, afirmou Rodrigues em seu parecer.
Outro relatório pede punição maior a Pollon
Na mesma sessão, o deputado Ricardo Maia (MDB-BA) apresentou voto separado sugerindo a suspensão de Pollon por 90 dias, alegando ofensas pessoais do parlamentar ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), pediu vista dos dois relatórios. A expectativa é de que o Conselho retome a análise em 5 de maio.
Defesa aponta “perseguição”
Os parlamentares negam irregularidades e dizem estar amparados pela imunidade parlamentar. Van Hattem classificou o parecer como “perseguição sem fim” e pediu mobilização para barrar a medida. Zé Trovão declarou que a punição seria “injusta” e que não recuará. Pollon afirmou que tentam “calar um parlamentar por cumprir o dever”.
Imagem: Bruno Spada
Protesto durou 30 horas
A ocupação das Mesas da Câmara e do Senado se estendeu por cerca de 30 horas. Sessões foram canceladas, e reuniões de líderes foram convocadas para negociar a saída dos oposicionistas. Durante o ato, Zé Trovão chegou a bloquear a subida de Motta à Mesa; o presidente levou mais de cinco minutos para alcançar a cadeira, mas não pôde sentar porque Van Hattem e Pollon permaneceram no local. O impasse terminou após intervenção de outros deputados.
Outros participantes do motim receberam punições mais leves, como advertências.
Com informações de Gazeta do Povo
