Brasília — O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares afirmou que ingressará com pedido de revisão criminal de sua condenação na Ação Penal 470, o processo do Mensalão, e classificou o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa como “desqualificado”. A declaração foi dada em entrevista publicada nesta sexta-feira (21) pelo portal Poder360.
Condenado em 2012 por corrupção ativa e, inicialmente, também por formação de quadrilha, Delúbio sustenta que o julgamento ocorreu “sem provas” e diz que alterações posteriores na jurisprudência do STF permitem questionar a sentença. “Deixei um documento com a minha neta para que, se eu morrer e não pedir, ela possa pedir a revisão”, afirmou.
Possível recurso coletivo
Segundo o petista, outros condenados no Mensalão estudam apresentar pedidos semelhantes, mas aguardam “baixar a temperatura” do debate político antes de acionar a Corte.
Retorno de Barbosa ao cenário político
As críticas de Delúbio coincidem com a volta de Joaquim Barbosa ao centro das discussões eleitorais. Setores da Democracia Cristã cogitam o ex-ministro do STF como possível candidato à Presidência da República em 2026.
Planos eleitorais de Delúbio
Também de olho no pleito de 2026, o ex-tesoureiro declarou ser pré-candidato a deputado federal por Goiás e disse pretender atuar pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Comparação com operação da PF
Ao comentar a ação da Polícia Federal que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA) no caso Banco Master, Delúbio comparou a investigação ao Mensalão e classificou ambas como “mentira contada”, embora reconheça “naturezas diferentes” entre os episódios.
Imagem: Reprodução
Histórico judicial
Expulso do PT durante o escândalo do Mensalão e reintegrado em 2011, Delúbio recebeu pena de 8 anos e 11 meses, depois reduzida para 6 anos e 8 meses quando o STF afastou a condenação por formação de quadrilha. Ele cumpriu parte da punição em regime fechado e prisão domiciliar até ser beneficiado pelo indulto natalino concedido pela então presidente Dilma Rousseff em 2016.
Em 2018, foi preso novamente após ser condenado por lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. O Superior Tribunal de Justiça anulou essa condenação em 2023 ao entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar o caso.
Com informações de Gazeta do Povo
