Um tratamento experimental criado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) iniciou em 2026 os primeiros testes clínicos em pessoas com câncer de pele. O método emprega um complexo de prata associado ao anti-inflamatório nimesulida, aplicado diretamente sobre a lesão por meio de um adesivo combinado a uma membrana de celulose bacteriana.
Os resultados que embasaram o avanço para a fase clínica foram divulgados em 14 de abril de 2026 pelo Jornal da Unicamp. Em estudos de laboratório e em animais, o composto — batizado de AgNMS — conseguiu inibir o crescimento tumoral sem danificar células saudáveis, segundo a equipe liderada pelos cientistas Pedro Paulo Corbi e Carmen Lima.
Como funciona a pesquisa
A proposta concentra-se no carcinoma de células escamosas, tipo de câncer de pele não melanoma mais comum no País. A prata, já conhecida por seu efeito antibacteriano, foi combinada à nimesulida para potencializar a ação antitumoral. A liberação controlada da substância é garantida pela membrana de celulose, que atua como curativo biológico.
Os ensaios em camundongos mostraram redução significativa — e em alguns casos regressão completa — dos tumores, sem sinais de toxicidade. Com esses dados, o estudo recebeu autorização para avaliar a segurança do produto em voluntários atendidos no Hospital de Clínicas da Unicamp.
Etapas dos testes em humanos
A investigação clínica foi estruturada em duas fases. A primeira, atualmente em andamento com três participantes, busca verificar eventuais efeitos adversos e determinar a dose adequada. Se os resultados forem favoráveis, a próxima etapa deverá incluir cerca de 20 pacientes, ampliando a análise de eficácia.
Imagem: Rovsky
De acordo com a farmacêutica Gisele Goulart, do Laboratório de Genética do Câncer (Lageca), os voluntários tratados até o momento apresentaram redução do tumor sem sinais de toxicidade.
Motivação para abordagem menos invasiva
O câncer de pele não melanoma responde pela maior incidência oncológica no Brasil, com mais de 260 mil novos casos estimados para 2026. A principal terapia disponível é a remoção cirúrgica, que, dependendo da extensão da lesão, pode resultar em cicatrizes ou perda de partes do nariz, orelhas e outras regiões visíveis. Os pesquisadores esperam que o novo método ofereça alternativa menos agressiva e de menor custo em comparação a procedimentos cirúrgicos, quimioterapia ou imunoterapia.
Com informações de Olhar Digital
